Boas-Vindas

Amigos,
Esta é uma net-expressão da
QUINTA DA BORRACHA, vocacionada para os que têm a felicidade de a conhecer, e não só..., que permite partilhar e divulgar as suas actividades e belezas naturais, comentar assuntos e publicar intervenções.
Um local livre, que não faz bem nem mal, antes pelo contrário, mas que pode dar muito ... tanto quanto todos quisermos dar.

Todas as fotos de natureza foram obtidas na própria Quinta
Convido-vos à leitura ansiolítica e ao comentário...

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Sete Vidas


Mais um comentário-poema resposta do M. que se publica:




Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "Mar Descoberto ":

"Viver é correr atrás da ilusão
Que alguém nos ensinou a ser paixão
E porque nascer significa viver
Acha-se por bem aprender a correr"

SETE VIDAS

Sete afagos e sete beijos
Sete sonhos para sonhar
Sete desejos, sete destinos
Sete crianças por criar

Sete marés, sete navios
Sete rios por navegar
Sete vagas e sete ondas
Sete mares por marear

Sete Luas e sete Sóis
Sete céus por conquistar
Sete dias e sete auroras
Sete estrelas por alcançar

Sete amores, sete paixões
Sete escravas por libertar
Sete juras, sete emoções
Sete mulheres para amar

Sete soldados, sete guerras
Sete bombas por rebentar
Sete choros, sete tristezas
Sete lágrimas por chorar

Sete cravos e sete rosas
Sete flores para colher
Sete fôlegos, sete sorrisos
Sete vidas para nascer


Publicada por Anónimo em Placebo a 8 de Novembro de 2007 18:04

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Um dia


Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem " Não Sei nem Nunca Soube":





Parabéns Tx ^^
Nos intervalos da Geometria e das Artes nunca deixes de grafar tudo o que te vai na alma.

Um dia ...
Irás saber sonhar mais alto
Tão alto como o teu voar
Pois voar também é sonhar
E amar é saber partilhar

Serás a menina mulher
Também tu terás de crescer
E dessa árvore frondosa
O teu fruto há-de nascer

Olhando a estrada percorrida
Verás como foi bom sonhar
No papel deixarás escrito
Que voar também é amar

Um beijinho

P.S.
Os teus versos fazem-nos falta
Mas primeiro está o dever
O Português, Inglês e História
São parte do nosso saber

Publicada por Anónimo em Placebo a 6 de Novembro de 2007 18:49

terça-feira, 6 de novembro de 2007

O Repto da Águia










Tx ^^ deixou um novo comentário na sua mensagem " As folhas do final do Outono":

Nenhuma águia voa
Para muito longe do ninho
Nem nenhuma águia se esquece
Daquilo que ela sente pertinho.

Apesar do trabalho a manter longinho
Águia alguma vive sem voar
Sao estes poemas que a mantêm viva,
Sao estas conversas que a fazem continuar.

Está a ser difícil seguir o passo
Mas uma águia nao desiste
Uma águia vai até ao fim
Uma águia é forte e resiste

Entre projecto e geometria
Os poemas ficam-se pelo ar
Pensando que ninguem se lembraria
Da falta que poderiam dar

E talvez nao haja falta
De mim há apenas esperança
Que tenha tempo para contar
o que nao vem na história da exuberância:

História da Cultura e das Artes
Mais ainda o Português
E até o Desenho que nao se divide por partes
É melhor do que ter Ingles.

Só me resta teoria
Mas mesmo esta nao ajuda
Ocupam-me a semana de tal forma
Que desespero..Alguém me acuda!

É por isso que a águia
Se tem apartado um pouquinho
Mas nao se esquece deste canto
A que tem um enorme carinho

Peço desculpa da minha ausência
Mas este ultimo ano está a ser difícil
Apesar da fama e da paciência,
Uma nota não vem sozinha

E porque há que lhe dar forma
sem ser às três pancadas,
Tentarei novas entradas,
O mais cedo que eu possa.

Beijos para o M. que tem sido um herói sobre página branca.

Publicada por Tx ^^ em Placebo a 5 de Novembro de 2007 15:51

Não Sei nem Nunca Soube

Tx ^^ deixou um novo comentário na sua mensagem " Ser Feliz":

(sem tempo para passar no pc fica-se pelas paginas...)




Nao Sei Nem Nunca Soube

Nao sei o que é sonhar mais alto
Nao sei o que é voar baixinho
Nunca serei daqueles a dar o salto
Do ramo mais tosquinho

Nunca soube estimar
O que já me pertencia
Nunca soube partilhar
O que dos outros recebia

Nao sonho, uma vez que nao me deito,
E talvez por pertencer aos Arinto
Nao escrevo apenas porque tenha jeito
Mas tambem por tentar escrever o que sinto

Nunca quis abandonar
O ninho familiar
Nunca quis deixar de ser
A adolescente que nao quer crescer

Nao sei o que é sonhar
Nao sei o que é voar
Nunca deixei de amar
O solo que piso, o coma do meu tentar.

Publicada por Tx ^^ em Placebo a 5 de Novembro de 2007 15:57

Mar Descoberto






Tx ^^ deixou um novo comentário na sua mensagem " Nau do Desespero":

As aulas servem para alguma coisa nem que seja apenas para inspiração e como vem sempre Os Lusiadas à tona, eu tambem os embarco comigo...

Mar Descoberto

Mar, tu que os levaste
À nossa tao querida gente
Porque nao tentaste devolver
Os que partiram para morrer
Porque nos deixas tu dormente?

Nao foram eles que sentiram
Aquele aperto enorme no peito
Foi este povo Lusitano
Que para despedidas nao tem jeito

A notícia é sempre vaga
Sem certezas nem consolo
Só a dúvida permanece
Nas viagens desta saga

Devolve-nos os perdidos
Que cá nao foram esquecidos
Deixa, Mar, matar as saudades
Daqueles que desvendaram as verdades!

Publicada por Tx ^^ em Placebo a 5 de Novembro de 2007 16:02

Os Cinco Elementos







Tx ^^ deixou um novo comentário na sua mensagem "A Banda":

Os 5 elementos

[nascer, crescer, aprender e morrer]

Tal como o Ar
O Homem respira
E apos conter o respirar
O Homem expira

Tal como a Terra
O Homem produz
Tal como a serra
O Homem nos seduz

Tal como o Fogo
O Homem aquece
É nele que a alma
Se enriquece

Tal como a Água
O Homem corre
E tal como tudo neste mundo
Tambem o Homem morre.

Publicada por Tx ^^ em Placebo a 5 de Novembro de 2007 16:06

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Dia de S.Martinho


Tx ^^ deixou um novo comentário na sua mensagem " S.Martinho 2007":


Domingo, dia de S.Martinho

Domingo de Sao Martinho
Com castanhas e vinho novo
Tal como na Páscoa o coelhinho
Esconde no jardim o ovo

Domingo de Sao Martinho
Junta-se a família junto á fogueira
Pois lá fora está o tempo geladinho
Cá dentro aquece a brincadeira

Um copinho aqui com a vitela
Com puré de castanha à acompanhar
Ou talvez um arroz de cabidela
Que para qualquer um é tudo um manjar

Domingo de Sao Martinho
Deu o Santo a sua capinha
Ao pobre que ficou quentinho
E nos ficámos com a castanhinha.



Publicada por Tx ^^ em Placebo a 5 de Novembro de 2007 16:11

S.Martinho 2007


A última publicação 'Da Caras' indicava os locais mais 'in' do nosso Burgo para comemorar o S.Martinho.

A título de esclarecimento pessoal, informamos que, mais uma vez, não autorizámos a divulgação do nosso evento, como forma de preservar a privacidade dos nossos distintos convidados.

Consta que há quem ande por esse País fora a escolher e a comprar iguarias, de forma a assegurar a elevada qualidade dos produtos.

Consta também que há quem, em casa, ande a estudar e a preparar ementas.

Bom... aguçado o apetite, que se mantenha o Verão de S.Martinho e que a nossa comemoração seja, como sempre, um prazer a recordar mais tarde por todos os participantes.

São Martinho (St.Martin)

Com a data a aproximar-se será bom relembrar o Homem e a vida que tornou tão célebre este Santo em vários países da Europa Central e do Sul, com destaque para a França, onde viveu grande parte da sua vida e onde morreu como Bispo de Tours.











Apresento um excerto do texto de Maria Luísa V. de Paiva Boléo, do site 'O Leme' (http://www.leme.pt/):

"DE CAVALEIRO ROMANO A APÓSTOLO DA GÁLIA
Não podemos dizer que a vida de São Martinho «se perde na noite dos tempos», porque este santo, nascido em território do império romano - Sabaria na antiga Panónia, hoje Hungria, entre 315 e 317, foi o primeiro santo do Ocidente a ter a sua biografia escrita por um contemporâneo seu - o escritor Sulpício Severo.
Martinho era filho de um soldado do exército romano e, como mandava a tradição, filho de militar segue a vida militar, como filho de mercador é mercador e filho de pescador devia ser pescador. Martinho estudou em Pavia, para onde a família foi viver, e entrou para o exército com 15 anos, tendo chegado a cavaleiro da guarda imperial. Tinha a religião dos seus antepassados, deuses que faziam parte da mitologia dos romanos, deuses venerados no Império Romano, que, como é óbvio, variavam um pouco de região para região, dada a imensidão do Império. As Gálias teriam os seus deuses próprios, como os tinham a Germânia ou a Hispânia.
O jovem Martinho não estava insensível á religião pregada, três séculos antes, por um homem bom de Nazaré. Um dia aconteceu um facto que o marcou para toda a vida. Numa noite fria e chuvosa de Inverno, às portas de Amiens (França), Martinho, ia a cavalo, provavelmente, no ano de 338, quando viu um pobre com ar miserável e quase nu, que lhe pediu esmola e Martinho, que não levava consigo qualquer moeda, num gesto de solidariedade, cortou ao meio a sua capa (clâmide) que entregou ao mendigo para se agasalhar. Os seus companheiros de armas riram-se dele, porque ficara com a capa rasgada. Segundo a lenda, de imediato, a chuva parou e os raios de sol irromperam por entre as nuvens. Sinal do céu. Seria milagre?

A LENDA DE MARTINHO
Depois do encontro de Martinho com o pobre que seria o próprio Jesus, sente-se um homem novo e é baptizado, na Páscoa de 337 ou 339. Martinho entende que não pode perseguir os seus irmãos na fé. Percebe, que os outros são, na realidade, mais seus irmãos que inimigos. Só tem uma solução - o exílio, porque, oficialmente, só podia sair do exército com 40 anos. Hoje o sentido de irmão está, no Ocidente, perfeitamente interiorizado, mas, na época era algo de totalmente revolucionário. Era uma sociedade estratificada, e os grandes senhores, onde se incluía a classe militar, não se misturavam com a plebe, e muito menos um escravo era considerada pessoa humana. Daí Cristo ter sido crucificado. O amor entre todos, como irmãos que pregava era verdadeiramente contra os usos do tempo. Todos o que o seguiram e praticaram a solidariedade eram vistos como marginais e mais ou menos perseguidos. Martinho, ainda militar, mas com uma dispensa vai ter com Hilário (mais tarde Santo Hilário) a Poitiers. Funda primeiro o mosteiro de Ligugé e depois o mosteiro de Marmoutier, perto de Tour, com um seminário. Entretanto a sua fama espalha-se. Muitos homens vão seguir Martinho e optar pela a vida monástica. Com o tempo, as suas pregações, o seu exemplo de despojamento e simplicidade, fazem dele um homem considerado santo. É aclamado bispo de Tours, provavelmente em Julho de 371. Preocupado com a família, lá longe, e com todo o entusiasmo de um convertido vai à Hungria visitar a família e converte a mãe.
A vida de São Martinho foi dedicada à pregação. Como era prática no tempo, mandou destruir templos de deuses considerados pagãos, introduziu festas religiosas cristãs e defende a independência da Igreja do poder político, o que era muito avançado para a época. Nem sempre a sua acção foi bem aceite, daí ter sido repudiado, e, por vezes, maltratado.

VITA MARTINI
Sulpício Severo, aristocrata romano, culto e rico fica fascinado com o comportamento pouco comum de Martinho e escreve, entre 394 e 397 a biografia, daquele que ficaria conhecido por São Martinho de Tours. A obra chama-se apenas Vita Martini (escrito em latim), livro que teve enorme repercussão no mundo medieval. Espalhou-se até Cartago, Alexandria e Síria. Sabe-se que este livro foi muitíssimo lido (Enciclopedia Cattolica, Cidade do Vaticano, 1952, p. 220), o que era difícil numa época em que os livros eram caros e quando só o clero e monarcas mais cultos os leriam, mas o certo é que foi um verdadeiro «best-seller».
Só em 357 Martinho é dispensado oficialmente do exército e continua a espalhar a sua fé. Morre em Candes, no dia 8 de Novembro do ano de 397 e o seu corpo foi acompanhado por 2 000 monges, muito povo e mulheres devotas. Chega à cidade de Tours no dia 11 de Novembro. O seu culto começou logo após a sua morte. Em 444 foi elevada uma capela no local. Não foram só as gentes das Gálias que o veneraram, o seu culto espalhou-se por todo o Ocidente e parte do Oriente. Na cidade francesa de Tours, foi erguida uma enorme basílica entre 458 e 489 que viria a ser lugar de peregrinação, durante séculos. Em França há perto de 300 cidades e povoações com o nome de São Martinho e, em Portugal, numa breve contagem, descobrimos 60. É, no entanto, importante frisar que nem todas serão evocações de São Martinho (o da capa), mas também de São Martinho de Dume (na região de Braga), também originário da Hungria (séc. VI).
Por toda a Europa os festejos em honra de São Martinho estão relacionados com cultos da terra, das previsões do ano agrícola, com festas e canções desejando abundância e, nos países vinícolas, do Sul da Europa, com o vinho novo e a água-pé. Daí os adágios «Pelo São Martinho vai à adega e prova o teu vinho» ou «Castanhas e vinho pelo São Martinho»."

domingo, 4 de novembro de 2007

A Banda


Não saiu na Blitz mas esteve quase!!!
(cartaz da autoria MM.)
Mais um ensaio, com muito feed-back à mistura, mas que no final deu para tocar umas coisas ...
Estamos a aperfeiçoar temas e a criar as passagens entre solos e entre temas, aperfeiçoar voz, etc, etc.
Valeu a boa disposição e o resultado final.

Nau do Desespero


Mais um comentário-poema ao artigo 'Dia de Finados' do amigo M. que se publica e aplaude:
(gravura criada pelo J. num fim de semana na Quinta)


"Apenas e só, porque o teu amigo C., através das palavras de Álvaro de Campos, tocou nesta realidade imutável e na qual, teimosamente, nos recusamos a pensar, é que resolvi partilhar neste espaço o que escrevi recentemente quando vi definhar e tombar, a meu lado, uma árvore desta imensa floresta em que todos nós, também, somos árvores.
"Devemos aproveitar as tristezas para darem mais força às alegrias!"


NAU DO DESESPERO
(As brumas do Além)

Voei por cima da bruma do mar
Vi uma nau navegando no céu
Ia lotada de rostos sofridos
Todos envoltos por um branco véu

De pé, à proa, um vulto sem rosto
Mostrando que era ele a comandar
Apesar do medo e das ordens dadas
Alguns teimavam em desembarcar

No murmúrio que chegava até mim
Ouvia gemer e também chorar
Todos sabiam que o seu destino
Era muito além dos confins do mar

Daqueles que acatavam as ordens
Ouvia-se na penumbra uma canção
Nos versos diziam com tristeza
Que a saudade ia no seu coração

O vento dissipou a espessa bruma
E eu para o céu carmesim olhei
Ao ver o Sol brilhar no horizonte
Nas ondas da vida, eu, mergulhei

Um abraço
3 de Novembro de 2007 12:55"

sábado, 3 de novembro de 2007

Dia de Finados




Bom, agora é o Álvaro de Campos (irmão gémeo do outro) que reinvidica a publicação, oferta graciosa do amigo C.:

"Dia de Finados (integral)

Se te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...

A mágoa dos outros? ... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas nuito mais vivo além...
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?

Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?

Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente,
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela noctura consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...

Álvaro Campos"

Inverno

Mais um comentário-poema do amigo M. feito no artigo 'As folhas do final de Outono'.
Por este andar vou ter criar uma pasta específica para poesia.
Aqui vai:

"Não há dúvida de que o contacto com a natureza nos leva a observar certas coisas que, de outro modo, nos eram totalmente indiferentes.
Ao partilhar da tua opinião, também acho que é na mutação cíclica da natureza que acenta o equilíbrio que todos nós necessitamos para, todos os dias, acordarmos com o olhos postos no horizonte e a sorrir para a vida.

Como a seguir ao Outono vem o Inverno que é, sem dúvida, o período que a mãe natureza escolheu para pôr à prova as capacidades de todos os seres vivos mas, ao mesmo tempo, tão necessário para lhes fornecer as reservas que vão garantir a sua sobrevivência, aqui envio mais umas linhas.

INVERNO
O Sol arrefece, caem as folhas
Nuvens cinzentas cobrem o céu
É prenúncio do final de um ciclo
É o Inverno estendendo um véu

Árvores nuas dormem ao frio
Erguem os braços numa oração
Sabem que o Ser que tudo controla
Manterá quente o seu coração

Caminham em passada estugada
Porque os dias escurecem cedo
O tempo é curto para viverem
E a invernia traz-lhes o medo

Ao menor sinal ficam alerta
Quando pressentem o temporal
Sozinhas enfrentam o perigo
E sonham com a vida imortal

Agradecem à mãe natureza
O novo ciclo da esperança
Porque no rebentar da folhagem
Vai a chuva e vem a bonança

Em coro, cantam a Primavera
A seiva corre com mais calor
Brotam as flores e cantam as aves
De novo o Sol no seu esplendor

Um abraço
2 de Novembro de 2007 1:46"

O que ele via

O amigo C. enviou-me um mail, com mais um poema, agora do Alberto Caeiro (leia-se Fernando Pessoa em personalidade clandestina) que não posso deixar de publicar (já que temos tantos amantes de poesia no blog...):

"O meu olhar é nítido como um girassol,
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e a esquerda
E de vez em quando olhando para trás...

E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial que tem uma criança
Se ao nascer, reparasse que nascera deveras...

Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo

Creio no mundo como um malmequer
Porque o vejo, mas não penso nele
Porque pensar é não compreender

O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia, tenho sentidos...
Se falo na natureza não é porque a amo, amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama.
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência
E a única inocência é não pensar.

Alberto Caeiro"

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Visitas

Neste feriado, tivémos a visita do Comendador e Esposa e dos seus descendentes ... até ao 3º grau.

O dia estava óptimo, com um sol radioso e uma temperatura serena, que convidava a um repasto tranquilo.

Para o almoço foram preparados os seguintes desafios:

- queijo fresco do alentejo, tortas suecas de salmão fumado, mini-tostas com salmão e delícias do mar, pastas de salmão e de caranguejo a usar a gosto e línguas de bacalhau empanadas.
Foi servido um vinho branco Chardonnay e Arinto de 2006 da Cooperativa Agrícola de Stº Isidro de Pegões - Terras do Sado.

- coelho grelhado a lenha, com molho de azeite, alho e coentros, acompanhado com batata frita com casca laminada, salada de alface e rúcula e três variedades de pão.
Com prazer bebemos um vinho tinto Vinha do Almo - Escolha de 2005, da Herdade do Perdigão de Monforte, Alentejo e ainda um tinto Dona Maria - Amantis, produzido por Júlio Bastos de Estremoz que com os seus 14,5º engrandeceram o repasto.

- torta de cenoura, gelado de baunilha, nozes, queijos secos e castanhas assadas, acompanhados com provas de jerupiga caseira, cafés e whisky.

O almoço foi servido com um suave fundo musical e terminada a missão os convivas mais novos (e não só) fizeram uma pequena sesta, outros encheram os pulmões com o ar puro da Quinta.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

As folhas do final do Outono

Este ano as folhas perduraram nas árvores mais tempo e só agora, nas últimas semanas, começaram a cair, deixando um manto de vegetação que vai secando e dançando ao vento.





As folhas, depois de trituradas, são uma óptima base para o composto ou simplesmente para serem de novo entregues directamente à terra para seu alimento natural.



Assim se recicla e promove a vida vegetal e se cria igualmente ambiente para o desenvolvimento e alimento de muita vida animal, gerando um ciclo de equilíbrio ecológico que tanto precisa de ser preservado.

A letra e a música


Bom, depois de uma semana de ausência, aqui estamos de novo.

Para começar, apresento um comentário feito pelo amigo M, no artigo 'Godin e Fender' com uma proposta de letra para musicar, que agradeço e vamos ver ... nunca se sabe!

"Amigo Bróitas
Tal como tu, também acho que devemos sempre desenvolver as nossas capacidades e acima de tudo dar asas aquilo que nos dá prazer executar.
Como cada pessoa tem direito ao seu minuto de fama, quem sabe se não estará aqui a nossa boa oportunidade de ganhar-mos um disco de diamante ou, na pior das hipóteses, um voador para fugirmos para bem longe antes de levarmos com ovos e tomates podres na cabeça.
Ora! Por tudo isto e porque sei que tu e o MM têm como lema: "Os impossíveis resolvem-se já, os milagres demoram um pouco mais!", aqui vos envio estas palavras para lhes aplicarem umas semi-fusas, misturadas com algumas semi-colcheias, e depois dedilharem essas maravilhosas guitarras para delírio das multidões.

MINHA GUITARRA

Pela estrada fora vou caminhando
Levo-te ao ombro, minha guitarra
Tuas cordas afago com carinho
Já vejo ao longe um belo jardim
Para ele vou guiar o meu caminho
MINHA GUITARRA! TOCO PARA TI

Canteiros coloridos de mil tons
Cravos, tulipas e rosas vermelhas
Bem no meio brota a mais bela flor
Que alguma vez os meus olhos viram
Como tu és bela! Meu grande amor
MINHA GUITARRA! TOCO PARA TI

Refrão

Vibro as cordas, toco baladas
Nesse teu corpo minha guitarra
Tocando, abrirei todas as portas
Para, naquele jardim, poder entrar

Deslizo os dedos pelos teus cabelos
Nestes versos serei o trovador
Tuas pétalas, eu, vou desfolhar
Escreverei nos teus olhos a música
Desta balada que vou dedilhar
MINHA GUITARRA! TOCO PARA TI

Repete o refrão

Chegado o Outono caiem as folhas
A minha guitarra toca mais triste
Renascem as flores na Primavera
E no jardim de mil tons colorido
O ciclo do amor já nos espera
MINHA GUITARRA! TOCO PARA TI

Repete o refrão

Cordas bem afinadas e força nas palhetas!
Um abraço
P.S. Preservar os direitos de autor, porque nestas coisas nunca se sabe!
28 de Outubro de 2007 17:20"

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Vive a Vida

Comentário anónimo ao artigo 'Criar Beleza':

"Penso que esta mensagem de António Botto é, além de um genial poema, um belíssimo hino à vida.
Que coisa mais bela e mais importante se pode criar, do que a vida?
Todavia, não se pense que basta ser-se parido e que, depois, o destino se encarregará de, e aqui sito António Boto, "criar beleza".
Terá de ser cada um de nós que, com mais ou menos arte, tem de dar aquele toque que define cada criador e a sua obra.

VIVE A VIDA

Porque passas a vida a correr
Teu destino não está marcado
Goza a vida em cada momento
Ama para sempre seres amado

Não pretendas o mundo só para ti
Há outros que precisam também
O Sol quando nasce é para todos
Não tomes esse direito a ninguém

A vida é uma dádiva dos deuses
Obra mais preciosa não existe
Por ela há tanta gente no mundo
Que, na guerra, aos tiranos resiste

Não atropeles e semelhante
Correndo atrás de falsas quimeras
Para atingires os teus objectivos
Não lances teus amigos às feras

Para andares de cabeça erguida
Sem teres medo de ser apontado
Respeita sempre a regra da vida
Ama, para também, seres amado

22 de Outubro de 2007 17:57"

O suplício de Tântalo

Comentário anónimo ao artigo 'vinhos acariciados':

"O SUPLÍCIO DE TÂNTALO

Todos conhecemos a história do suplício que foi infligido a este rei mitológico da Frígia e que era filho de Zeus.
Porém, nunca é demais recordar uma das que corrempelos corredores e salões do Olimpo:

Certa vez, para testar o poder dos Deuses Maiores, Tântalo roubou todos os manjares e néctares que estavam destinados para um dos lautos banquetes que eles faziam diariamente.
Em seu lugar mandou servir a carne do próprio filho, que ele havia morto, e um vinho de má qualidade do qual não se sabe a marca, porque na altura ainda não se rotulavam as ânforas.

Ora,como por lá não se brincava naquela época os Deuses decidiram enviá-lo para Tártaro onde, num vale luxuriante e com muita água, iria passar a viver por toda a eternidade sentenciado a não mais poder saciar a fome nem a sede.
Sempre que aproximava a boca da água cristalina que corria em abundância esta escoava-se para longe rapidamente sem lhe dar hipótese de molhar, sequer, os lábios.
Quando tentava colher algum dos deliciosos e variados frutos que existiam nas árvores do vale, os ramos das mesmas moviam-se para cima impelidos pelo vento de modo que ele não lhes conseguia chegar.

Diz-se por aí que ainda hoje esse pobre faminto vagueia por lá sem comer nem beber.

Mas, afinal, o que é que tem esta história a ver com o artigo "Vinhos acariciados"? perguntarão alguns.
A resposta é simples, então esta mostra e prova de vinhos que o amigo Bróitas aqui descreve, com toda a sua arte, não será, para quem não esteve lá, um suplício ainda maior do que aquele a que sentenciaram o pobre do Tântalo?

ISTO NÃO SE FAZ!
Um abraço

22 de Outubro de 2007 12:16"

domingo, 21 de outubro de 2007

Vinhos acariciados

Este fim de semana pudémos provar e deliciar-nos com óptimos vinhos que, pela sua qualidade existe o dever de aqui realçar:

Espumante Reserva Bruto, monocasta Arinto de 2004, da Qta do Boição de Bucelas, das Caves Velhas - Excelente.












Branco, monocasta Arinto de 2005, Morgado de Sta.Catherinade Bucelas - Companhia das Quintas, da Quinta da Romeira - Excelente












Tinto 'Só', de monocasta Syrah, de 2004, de vinha situada em Palmela, da Qta da Bacalhôa - Excelente












Tinto Dona Maria, com quatro castas de 2004, de Júlio Bastos de Estremoz - Muito Bom












Tinto da Ânfora, Grande Escolha, com três castas de 2005, da Herdade das Ânforas em Arraiolos (já antes referenciado, mas que se renova) - Muito Bom












Branco Seco Confraria, com três castas, na serra de Montejunto, da Adega Cooperativa do Cadaval - Muito Bom












Acreditem, este conjunto tinha de facto uma qualidade excepcional.